sábado, 13 de dezembro de 2008

Notas diversas

A Câmara aprovou um projeto de Lei que obriga bibliotecas públicas a possuírem pelo menos uma Bíblia em seu acervo. Na justificativa, o deputado Filipe Pereira apela para a "sólida tradição cristã" do povo brasileiro e argumenta que as Bíblias nas bibliotecas seriam uma boa alternativa para as "pessoas carentes para as quais a aquisição de livros, em face de suas rendas precárias, apresenta-se impossível". Ok, por onde começar a dizer o que vejo de errado nessa idéia? Acredito que qualquer bibliotecário digno do seu juramento só pode ficar arrepiado diante da possibilidade de ser obrigado a ter ou não ter qualquer material em sua biblioteca. Especialmente se é uma biblioteca pública! A comunidade atendida é majoritariamente cristã? Beleza, que venham as Bíblias. Mas e os espíritas? Não têm direito às obras de Kardec, Chico Xavier, ou, sei lá, dos Gasparettos? Sem falar que as Bíblias de católicos e protestantes são ligeiramente diferentes... Se a biblioteca compra um exemplar protestante, os católicos não ficarão prejudicados? Enfim, que tal darmos condições aos bibliotecários para atender às suas comunidades, em vez de ficar ditando o que eles devem pôr ou tirar das estantes?

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Confesso: sou uma admiradora da arte urbana: grafites, pinturas, todo tipo de intervenção que deixe a cidade mais interessante. Nestes dias (acho que graças a um e-mail), descobri o artista britânico Slinkachu, que desde 2006 desenvolve o "Little People Project", com bonequinhos minúsculos interagindo com a cidade: um casal se beijando na beira do rio, um homem segurando um fósforo com o dobro de sua altura diante de um carrinho incendiado, um grupo numa lancha navegando uma poça, uma briga... No site dá pra conferir também três imagens do mais novo projeto de Slinkachu, com caramujos "decorados".

domingo, 16 de novembro de 2008

Os Estados Unidos elegem um presidente negro!



Esta foto, tirada por David Goldman (do jornal New York Times) na First Corinthian Baptist Church do Harlem em Nova Iorque, mostra a reação ao anúncio de que Barack Obama estaria vencendo as eleições presidenciais naquele Estado. Eu a vi pela primeira vez no Globo que trazia na capa a vitória de Obama e fiquei fascinada. De cara, chama a atenção o êxtase da mulher no centro: punhos cerrados, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados e a boca aberta (num grito, talvez?), os brincos e os braços capturados no meio do movimento... A menininha no banco de trás parece não conseguir deixar de olhar para aquela manifestação tão extravagante. À direita da menina, uma jovem bate palmas com um sorrisão estampado no rosto. Na extrema direita da foto, um homem de terno cobre a boca com as mãos, mal deixando perceber sua expressão. Ao fundo, sorrisos, mãos levantadas, quase dá para ouvir os gritos de "Aleluia" e as palmas enchendo o salão... Mas é o homem na esquerda que atrai meu olhar: os braços caídos ao lado do corpo, os olhos fixos na tela, a boca entreaberta: ele está, literalmente, de queixo caído.

domingo, 24 de agosto de 2008

Na rede



A imagem aí ao lado é uma das pérolas do site Superdickery.com, uma coleção de capas e páginas de revistas em quadrinhos estranhas, curiosas, engraçadas, politicamente incorretas, perturbadoras ou simplesmente estúpidas. Tem o Jimmy Olsen drag, o Batman gay, o Superman agindo como um idiota, e muito mais... Uma boa pedida para as tardes preguiçosas na rede :-)

Detalhe: se o gorila aí ao lado (e este aqui também) é tão inteligente, por que está tentando assaltar a biblioteca? É só fazer a carteirinha, poxa...











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Outra opção divertida para quem lê em inglês: Hamlet em versão Facebook.

sábado, 16 de agosto de 2008

Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi)

O samba da minha terra deixa a gente mole,
quando se canta todo mundo bole,
quando se canta todo mundo bole!

Quem não gosta de samba, bom sujeito não é.
É ruim da cabeça ou doente do pé.

Eu nasci com o samba, no samba me criei,
e do danado do samba nunca me separei.

O samba da minha terra deixa a gente mole,
quando se canta todo mundo bole,
quando se canta todo mundo bole!

domingo, 3 de agosto de 2008

Pão quentinho (da série "Meus Favoritos")

Há lugares, pessoas e coisas que fazem a gente se sentir bem ou mal simplesmente pelo efeito que causam em nossos sentidos, com seus perfumes, sons, visões, sabores e sensações. Uma das coisas que fazem isso em mim é o pão.

Acho que quase todas as culturas produzem alguma espécie de pão, com ou sem fermento, de trigo, de milho, ou de algum outro cereal, simples ou recheado. Segundo a Wikipédia, é um dos alimentos mais antigos da Humanidade. Até hoje, não provei nenhum pão ruim - tá, não sou fã de pão de forma, mas até ele tem seu charme, num misto-quente ou americano. Pra mim, pão bom de verdade nem precisa de acompanhamentos.

Mas não é só o sabor do pão que me atrai: existe algo de confortante num pacote cheio daqueles pãezinhos franceses bem quentinhos, recém-saídos do forno da padaria. Não tem preço: pegar o pãozinho recém-comprado, crocante por fora e macio por dentro, abri-lo, espalhar a margarina ou manteiga e vê-la se desmanchar no miolo morno e macio...

Ah, o miolo do pão francês! Como é que tem gente que consegue comer pão sem ele?? Tá, eu sei, é a dieta. Mas que graça tem? Quando eu era pequena, agia feito um ratinho: cavava um buraco na bisnaga, tirando o miolo com a eficiência de uma sonda da Petrobras. Hoje me controlo melhor - mas não desperdiço miolo de jeito algum!

Outro dia, no ônibus, sentei ao lado de um homem que dormia segurando sacolas de compras. O calorzinho que saía de uma delas era inconfundível: nem precisei fechar os olhos para imaginar as bisnaguinhas. Foi naquele ônibus, ao lado de um desconhecido que dormia (quem sabe, embalado também pelo calor do pão), que me dei conta: pão quentinho me lembra a infância.

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