sábado, 18 de julho de 2009

Na Rede (2) - Cara, cadê meu livro??

Deu no New York Times: alguns usuários do Kindle (o leitor de e-books da Amazon) acordaram dia desses sem alguns dos livros que compraram e com um crédito correspondente ao valor gasto nas suas contas. A explicação só veio depois: aparentemente, as edições adquiridas foram vendidas irregularmente. A notícia foi comentada pelo colunista David Pogue, pelos usuários do Kindle (claro!), e em sites como o Current.com, onde topei com a notícia.

Não vou entrar na discussão "papel versus e-books". O que é estranho nesta história é que a gente costuma ver os e-books como a evolução do livro tradicional: são mais ecológicos (não derrubam árvores), mais práticos (adeus, estantes - e armários, e gavetas - abarrotadas!), o futuro. Até aí, tudo bem. Por outro lado, você não pode emprestá-los, não pode revendê-los (adeus, sebos?), não pode fazer Bookcrossing com eles. E, pra piorar, descobrimos da pior maneira que a livraria ou editora pode simplesmente tomar de volta o que já foi comprado!

Vocês devem se lembrar do processo que o Roberto Carlos ganhou, impedindo que uma biografia sua continuasse sendo comercializada. Imaginem se, em vez de se limitar a recolher os exemplares não vendidos, a Saraiva (ou a Cultura, ou o Submarino, enfim, sua livraria de escolha) mandasse alguém invadir a sua casa quando você não estivesse olhando, levasse o livro da sua estante e deixasse um cheque na mesa da sala antes de sair? Dizer que as cópias vendidas aos usuários do Kindle não eram legais é desculpa esfarrapada. A negociação entre os usuários e a Amazon foi legítima, ninguém estava pirateando nada - até porque, se pirateassem, não teriam direito a reembolso, né? Quem errou foi a Amazon, que vendeu mercadoria sem ter certeza de sua origem. Ou não?

A ironia das ironias? Os livros "retirados" foram 1984 e A Revolução dos Bichos (Animal Farm), de George Orwell. Big Brother IS watching you - e ele vai levar seus livros!

***

Para animar, tem filminho novo da Pixar na área: Partly Cloudy (Parcialmente Nublado, na minha tradução) brinca com a velha lenda sobre cegonhas que entregam bebês. No caso, as cegonhas "trabalham" para nuvens que moldam e dão vida a filhotes de todas as espécies... É fofo :-) A estreia oficial será junto com o novo longa da produtora, Up.

sábado, 20 de junho de 2009

Questão de Princípio

Participei recentemente de um mini-curso sobre os Princípios Batistas, ministrado pelo prof. Osvaldo Luiz Ribeiro e promovido pelo Centro Acadêmico Dr. Shepard do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Como tivemos apenas quatro encontros, não trabalhamos os Princípios exaustivamente. O prof. Osvaldo preferiu realçar alguns pontos que revelam a influência do liberalismo inglês do século XVII sobre aqueles primeiros batistas. Um dos trechos trabalhados discute o governo da igreja e, em certo ponto, afirma: "Nem a maioria, nem a minoria, tampouco a unanimidade, reflete necessariamente a vontade divina".

Se resolvermos seguir este princípio, temos que admitir que nenhum grupo - e nenhum indivíduo - tem respaldo quando afirma conhecer a vontade de Deus. A partir desta constatação, o professor propôs um pequeno exercício de reflexão: "E agora?" Dois alunos, eu inclusive, aceitamos o desafio. Os textos estão no blog Peroratio, junto com algumas considerações do Prof. Osvaldo. Eis o meu:

Se a vontade de Deus não é necessariamente expressa pela opinião da maioria, nem pela da minoria, e nem mesmo pela opinião de todos, estou isenta de buscar "vontades" específicas de Deus para a minha vida. Minhas decisões são minhas, com todo o bônus e o ônus que isso representa. Sou livre para decidir segundo o meu juízo, para voltar atrás quando errar (sem tentar culpar a Deus pelos meus erros), para assumir as consequências de meus atos. Ninguém decidirá por mim, e eu não decidirei por ninguém. Mas nem por isso estou totalmente sozinha: em vez de mentores que me indiquem O caminho, busco companheiros que me ajudem a fazer meu próprio caminho.

Saber que não há como ter certeza da vontade de Deus é assustador, especialmente para quem foi ensinado a buscar essa vontade e a segui-la. Por outro lado, e é esta a perspectiva que mais me atrai, é também libertador. Deus deixa de ser a Esfinge bloqueando o caminho, à espera que eu dê a resposta certa ao enigma ("Decifra-me ou devoro-te!"). Não há esfinge, não há um só caminho. Ou, como diz Antonio Machado, "Não há caminho - o caminho se faz andando". E não há uma só resposta ao enigma. Aliás, não deixa de ser curioso lembrar que a resposta ao enigma da esfinge é "o ser humano"...

Falar em uma Resposta me faz lembrar do Guia do Mochileiro das Galáxias. Segundo a série (que já foi programa de rádio, livro, seriado de tv, filme e até toalha), 42 é A Resposta para a Vida, o Universo e Tudo o Mais. O que ninguém sabe é qual é a pergunta... E, se a gente pensar bem, o que não falta por aí é resposta: amor, dinheiro, caridade, trabalho, religião, sexo, prozac, comunismo, anarquismo, capitalismo - tudo pode servir pra nos levar a auto-realização, à felicidade, à justiça social. Só falta decidir se o que a gente quer é auto-realização, felicidade, justiça social ou não sei o que mais - enfim, só falta saber qual é a pergunta. Ou, antes: falta encontrar uma resposta para cada pergunta que a vida me coloca. Cada situação é um desafio e uma oportunidade para escolher: com que roupa eu vou? Com quem eu vou? Pra onde eu vou? E como eu faço pra chegar lá?

Há desafios que são banais, como o de escolher se vou de ônibus ou metrô. Outros parecem mais assustadores do que são na verdade, como o Cavaleiro Negro de Em Busca do Cálice Sagrado - e, como o coelhinho do mesmo filme, alguns são bem mais perigosos do que parecem (Monty Python, Douglas Adams... O que seria de mim sem os humoristas ingleses??). Diante de cada desafio, grande ou pequeno, estamos sozinhos: a decisão final será sempre nossa.

Ser livre é ser só. Mas essa solidão não me satisfaz. É verdade que ninguém pode tomar minhas decisões por mim, e eu também me recuso a decidir por outros. Mas prefiro a opção do Drummond (ufa, um brasileiro!): "Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas". Quando li meu texto na última aula do curso, o Osvaldo comentou que dois perdidos não fazem um achado. Concordo. Mas vejo isso como uma advertência contra a ilusão de encontrar, em/com alguém ou com/num grupo, a resposta para a vida (e o universo, e tudo o mais). Abro mão dessa ilusão, mas não abro mão de compartilhar minha vida com outras pessoas. Se dois dormirem juntos, eles se esquentarão; mas como é que um só vai se esquentar? Ah, isso é Eclesiastes 4.11, só pra jogar um pouquinho de Bíblia também.

Encontrei por acaso esta tirinha, que tem a ver com tudo isso:

> Oi, eu estava me perguntando se você tinha planos pra -- Carambola, o que aconteceu com o seu apartamento?
> Eu enchi de bolinhas de plástico.
> Eu... O quê? Por quê?
> Porque nós somos adultos agora, e é a nossa vez de decidir o que isso significa.

É isso aí...

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Ouvindo: Jens Lekman - The Opposite of Hallelujah
via FoxyTunes

segunda-feira, 9 de março de 2009

Diário de Viagem: Buenos Aires

Hola!



Aproveitei o Carnaval para fazer minha primeira viagem ao exterior: Buenos Aires, Argentina. Fui sozinha: comprei a passagem um mês antes (em cima da hora: os voos de sabádo e domingo já estavam lotados) e reservei um albergue indicado pelo Lonely Planet: Hostel Suites Palermo. Fica num bairro afastado do centro, o que dificultou algumas coisas, mas gostei do clima tranquilo do lugar. Os outros albergues que consultei eram mais festeiros, um deles até avisava: "Se você gosta de dormir cedo, NÃO escolha este hostel". Segui o conselho :-)

Tudo certo pra viagem, bateu o frio na barriga: que é que eu vou fazer sozinha num país estranho (uma nação inimiga, pelo menos no esporte) e sem falar a língua do lugar (entendo o espanhol, especialmente lendo, mas não falo nada além daquele portunhol bem furreca)? Relaxei um pouco no avião, até porque adoro voar, mas foi só sair da checagem da imigração no aeroporto pra voltar o medo.

Caí num daqueles golpes de taxistas logo de cara: o motorista me cobrou 178 pesos por uma viagem que, na volta, saiu por 90 - sim, quase o dobro! Boa parte dos meus pesos foi embora nessa transação... Mas me informei na recepção do albergue e descobri que poderia trocar meus dólares (na hora de fazer o câmbio, troquei uma parte em pesos pro táxi e o resto em dólares) num lugar perto.

Deixei a mala e a mochila no quarto (me impressionei com a bagunça que as outras meninas fizeram) e saí para comer alguma coisa. Andei algumas quadras até o café Tonno, onde comi uma pizza - veio meio queimada, mas os pepperones eram maravilhosos - e observei os locais. Um grupo de adolescentes deu lugar a um casal com três filhos, a primeira prova da alta taxa de natalidade argentina (segundo o Lonely Planet, a mais alta da América Latina). Tem criança para todos os lados em BA! A determinada altura os funcionários mudaram o canal da TV para assistir a Hombre al Agua, uma espécie de gincana só com provas aquáticas (lembrei das Olimpíadas do Faustão). Tentei assistir até o final, mas era looongoooo e o sono venceu. Na hora de pagar, segundo susto: o cartão de crédito não liberou a compra. Fiquei apavorada na hora. Agora, trocar os dólares parecia questão de vida ou morte...

Segundo dia: liguei o notebook antes de sair do albergue e, por via das dúvidas, paguei a fatura do cartão de crédito e chequei a liberação para uso no exterior do cartão. Depois fui procurar a tal casa de câmbio. Tomei um novo susto porque não a encontrei no lugar que me indicaram, mas segui em frente: estava na Av. Santa Fé, uma das principais de Buenos Aires, e achei que deveria ter algum lugar onde eu pudesse trocar o dinheiro por ali. Finalmente encontrei: problema n. 1 resolvido!

Almocei num restaurante simpático. Confesso que me decepcionei um pouco: todo mundo fala tanto das carnes argentinas que eu, carnívora assumida, estava com água na boca para provar. Só que, aparentemente, tempero não é o forte dos hermanos... Só comi carne sem sal lá, uma pena. Mas as papas fritas estavam deliciosas!

Passei o resto da tarde explorando Palermo, um bairro de classe-média alta, arborizado e com uma vida noturna agitada. Minha primeira parada foi o Zoo, onde aproveitei para testar o cartão de crédito. Compra autorizada! Finalmente tranquila, curti bastante o passeio: show de lobos marinhos, ursos, felinos, girafas, lhamas, elefantes... E muitos, muitos turistas, especialmente brasileiros: na fila, alimentando os animais (o próprio zoológico vende um preparado especial para isso), tirando fotos, passeando.

Conferi no guia da Folha de São Paulo (se você pretende ir a BA, recomendo muito esse guia: os mapas são valiosos e o tamanho é ideal pra levar na bolsa) o endereço da Persicco, uma das mais badaladas sorveterias portenhas. Tomei um cucurucho (casquinha) de dulce de leche casero. A primeira surpresa: a porção é extremamente generosa, praticamente o dobro do sorvete do lado de fora - enche os olhos e a boca, mas não é muito prático na hora de tomar. A segunda: o tal sorvete de doce de leite não é enjoativo! E a terceira: a casquinha tinha umas três ou quatro camadas, uma delícia. Nota 10 para o helado.

Finalizei a tarde numa das muitas praças de Buenos Aires, vendo casais, famílias e grupos de amigos jogados na grama, um carinha treinando malabares, crianças bricando (dois meninos na minha frente faziam mountain bike num buraco de uma quadra), cachorros (outra paixão portenha - vi vários "andadores" de cachorro segurando vários pelas correntes), gente jogando futebol ou bebendo mate, uma delícia. O sol só se põe pra lá das oito horas, e ao que parece eles aproveitam cada minuto antes que isso aconteça. Voltei para o albergue, não sem antes traçar uma omelete num restaurante.

O terceiro dia começou bem cedo, com um city tour. Saímos do parque onde se encontra a bela Floralis Generica e percorremos Palermo e os bairros mais centrais até a Plaza de Mayo, ponto de protesto famoso e onde fica a Casa Rosada. Depois, fomos a La Boca, lar da Bombonera (estádio do Boca Juniors, ex-time de Maradona - até estátua do Diego tem lá) e de Caminito, ruazinha famosa pelas fachadas coloridas e os artistas de rua - muito careiros, por sinal.

O tour me deixou em Puerto Madero, talvez o lugar mais charmoso que vi em BA (o páreo é difícil, Palermo e a Recoleta são maravilhosos). Caminhei até não poder mais pelo calçadão à beira do rio, almocei no restaurante Siga La Vaca - parilla estilo "coma-o-quanto-puder" - em uma ponta e fui até a Freddo, na outra ponta, (outra sorveteria chique) tomar um helado de framboesa. No meio do caminho, visitei a Fragata-Escola Sarmiento e morri de inveja dos estudantes da Universidade Católica de BA, que estudam num lugar daqueles. Será que tem Teologia lá? Ah, sim, Puerto Madero também estava lotado de brasileiros, no Siga La Vaca uma família estava especialmente barulhenta :-)

Caminhei até o centro e fiz um pit-stop no shopping Galerias Pacífico, que tem afrescos lindos no teto. Dali segui pela Calle Florida (espécie de Uruguaiana portenha) até o metrô, ou Subte - de subterrâneo, reparou? - e voltei para "casa". Naquela noite saí para o Tango Experience, evento promovido pela rede Hostel Suites. A aventura começa no Hostel Suites Florida (um dos albergues mais bacanas que já vi, e bem central - fica na Calle Florida) com uma taça de vinho e, pelo menos naquela ocasião, alguma música (tocada num violino por um barbudo gordinho de bermuda). Não me aventurei a tomar uma taça inteira, mas provei uns golinhos.

Do ponto de encontro saímos, apertados numa van, para uma aula de tango - não aquele de filme, com rosas e vestidos decotados, mas o tango das milongas, que gente de verdade dança. A professora era ótima, e o grupo estava bem descontraído (culpa do vinho, talvez?), o que deixou tudo mais divertido. De volta para a van, fomos para uma pizzaria, e aí o papo rolou solto. Brasileiros, claro: duas cariocas - eu e mais uma, chamada Janaína (a rainha da água doce encontra a rainha do mar) - e dois gaúchos, um francês que fala português, um italiano, um holandês, uma inglesa, um irlandês, um chileno... Uma verdadeira babel :-)

Pra fechar a noite, visitamos uma milonga. A ideia era testar os conhecimentos, mas poucos se aventuraram na pista de dança - eu entre eles, duas vezes! Pena que não tenho as fotos para comprovar, mas tive testemunhas. Dancei mal, lógico, mas quem liga? E pelo menos não pisei no pé dos meus pares, já considero uma vitória :-)

Quinta-feira, último dia inteiro em BA. Caminhei quadras e mais quadras na Av. Santa Fé, de Palermo até a Recoleta, para conhecer El Ateneo Grand Splendid, uma das livrarias mais bonitas do mundo. O prédio era um cine-teatro, e os novos donos fizeram intervenções mínimas para instalar a livraria, mantendo os balcões e o espaço do palco. Foi ali que almocei um belo (e insosso, nada que um salzinho não ajudasse) bife de chorizo.

Dali, caminhei mais um tanto até a Recoleta, onde visitei a Igreja de N.S. do Pilar (que tem um pequeno museu), o famoso Cemitério onde está enterrada Evita, e o Museu de Belas-Artes, com uma coleção invejável. Numa praça, um grupo ensaiava técnicas de circo - malabares, corda bamba, etc. Jantei por ali, e, no caminho até o subte, vi um legítimo panelaço contra a troca de mão de uma avenida.

Ufa! A sexta foi só para arrumar a mala, comprar uma lata de alfajor (devorados pela minha irmã em menos de uma semana) e ir ao aeroporto, lotado - tinha uma fila gigantesca pra passar pelos detectores de metal! E você ainda tem que pagar uma taxa pelo uso do espaço... De volta para casa! Agora, é planejar a próxima viagem...

Mais fotos e histórias no Flickr.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Natal vem vindo...

É tempo de Advento, tempo de esperar o Natal, o final do ano, o recomeço. Eu amo essa sensação de fechar um ciclo e iniciar outro (vai ver que é por isso que não me adapto bem ao trabalho "normal" - é frustrante começar um ano tendo que cuidar dos mesmos problemas de antes). E amo o clima do Natal.

Ninguém pode negar que o Natal é, na essência, uma das mais importantes festas cristãs, ao lado da Páscoa. Só que, a meu ver, a Páscoa é mais importante para os cristãos: é a festa que celebra o acontecimento chave do cristianismo: a Paixão e a ressurreição do Filho de Deus - se Jesus tivesse simplesmente nascido, de que adiantaria? Mas o Natal é mais popular. O nascimento do menino-Deus é (re)interpretado o tempo todo por músicos, anunciantes, escritores, roteiristas, comediantes...

Estou começando a colecionar algumas dessas reinterpretações do Natal. Quero entender melhor como os "de fora" vêem esta festa, e, quem sabe, encontrar formas de dialogar com elas. Quem sabe, montar uma (ou algumas) liturgias de Advento e Natal mais "contextualizadas" (ê palavrinha perigosa!), menos fechadas em si mesmas...

Bem, seguem algumas adições à esta minha coleção :-)

  • Dia desses, num especial do Saturday Night Live, assistia duas pequenas animações natalinas: Christmas Time For The Jews é um clipe divertido sobre judeus tomando conta da cidade na noite de Natal (a música gruda na cabeça); e Fun With Real Audio: Christmas mostra Jesus se horrorizando com as barbaridades de tele-evangelistas, até encontrar a verdadeira mensagem de Natal num especial dos Peanuts (fofo!).
  • Canto de Natal, de Manuel Bandeira, merecia ser recitado nas igrejas. É um poeminha simples e bonito. A primeira estrofe diz tudo: "O nosso menino / Nasceu em Belém. / Nasceu tão-somente / Para querer bem".
  • E a música que inaugurou minha coleção: Menino Deus, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro. Para um Natal brasileiro, nada melhor que um samba :-)
Raiou, resplandeceu, iluminou
Na barra do dia o canto do galo ecoou
A flor se abriu, a gota de orvalho brilhou
Quando a manhã surgiu
Nos dedos de Nosso Senhor
A paz amanheceu sobre o país
E o povo até pensou que já era feliz
Mas foi porque
Pra todo mundo pareceu
Que o Menino Deus nasceu
A tristeza se abraçou com a felicidade
Entoando cantos de alegria e liberdade
Parecia um carnaval no meio da cidade
Que me deu vontade de cantar pro meu amor

Para ouvir na voz de Clara Nunes, clique aqui. Para a cifra, aqui.

Notas diversas

A Câmara aprovou um projeto de Lei que obriga bibliotecas públicas a possuírem pelo menos uma Bíblia em seu acervo. Na justificativa, o deputado Filipe Pereira apela para a "sólida tradição cristã" do povo brasileiro e argumenta que as Bíblias nas bibliotecas seriam uma boa alternativa para as "pessoas carentes para as quais a aquisição de livros, em face de suas rendas precárias, apresenta-se impossível". Ok, por onde começar a dizer o que vejo de errado nessa idéia? Acredito que qualquer bibliotecário digno do seu juramento só pode ficar arrepiado diante da possibilidade de ser obrigado a ter ou não ter qualquer material em sua biblioteca. Especialmente se é uma biblioteca pública! A comunidade atendida é majoritariamente cristã? Beleza, que venham as Bíblias. Mas e os espíritas? Não têm direito às obras de Kardec, Chico Xavier, ou, sei lá, dos Gasparettos? Sem falar que as Bíblias de católicos e protestantes são ligeiramente diferentes... Se a biblioteca compra um exemplar protestante, os católicos não ficarão prejudicados? Enfim, que tal darmos condições aos bibliotecários para atender às suas comunidades, em vez de ficar ditando o que eles devem pôr ou tirar das estantes?

***

Confesso: sou uma admiradora da arte urbana: grafites, pinturas, todo tipo de intervenção que deixe a cidade mais interessante. Nestes dias (acho que graças a um e-mail), descobri o artista britânico Slinkachu, que desde 2006 desenvolve o "Little People Project", com bonequinhos minúsculos interagindo com a cidade: um casal se beijando na beira do rio, um homem segurando um fósforo com o dobro de sua altura diante de um carrinho incendiado, um grupo numa lancha navegando uma poça, uma briga... No site dá pra conferir também três imagens do mais novo projeto de Slinkachu, com caramujos "decorados".

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