Eu sabia que esse negócio de voltar a blogar não ia dar certo. Foi só terminar a formatação inicial, dar pro blog uma carinha mais simpática, colocar alguns penduricalhos (sem transformar em árvore de natal) e batata: a placa-mãe do micro de casa pifou...
Do trabalho não dá para postar: o acesso à internet é controlado e temos uma "ração" diária de 30MB. Passou disso, é bloqueio, sem discussão. Quem foi que disse que ser servidor público é moleza?
Felizmente, a abstinência forçada já está chegando ao fim. E como as coisas estão relativamente tranqüilas no trabalho, comecei a esboçar este post, só para não perder o costume.
Acho que todo mundo tem coisas que gosta (ou gostaria) de fazer, mas por falta de tempo/dinheiro/paciência acaba deixando de lado. Para mim, uma dessas coisas é escrever. Já tentei a prosa, mas não passei de algumas linhas, bem poucas mesmo. Pensar um começo e um final talvez seja fácil, mas uma boa história é feita do recheio: personagens, diálogos, situações e relacionamentos. Quem nunca foi ver um filme sabendo de antemão como terminava? Nem precisa que alguém te conte pra saber que o mocinho fica com a mocinha, o vilão se dá mal, os americanos ganham a guerra e Hitler morre. O que vale não é o fim do caminho, é o caminho até lá - não é assim na vida da gente?
Voltando à vaca fria: não consegui dar à minha tentativa de história (acho que era sobre um homem abandonado pela esposa, já faz uns dez anos...) esse recheio tão vital. É verdade que, pouco antes, eu já tinha me aventurado pela poesia. Ainda tenho alguns poemas guardados... Foi gostoso escrevê-los: eles vinham à minha cabeça quase prontos e o trabalho que eu tinha era moldá-los, brincando com as palavras. Não fazia rimas - aproveitei minha condição de (pós?)modernista para fugir delas :-) Mas meus poemas não eram realmente grande coisa.
O tempo (e o segundo grau) passou, e parece que a fonte de poemas em mim secou. Na faculdade, fiquei íntima do texto acadêmico, dissertativo, cheio de regras (escrever em primeira pessoa? Nunca! Adjetivos? Fuja!), aparentemente seco e impessoal. Mas que surpresa boa ler textos de Bruno Latour, Thomas Kuhn e outros e descobrir que aquele formalismo todo não precisava ser sinônimo de texto chato. Pelo contrário: eu me deliciava com a descoberta.
Aliás, a descoberta é uma das coisas que mais me atrai na leitura em geral. Gosto de achar pepitas: frases geniais, situações inusitadas, descrições surpreendentes, idéias revolucionárias ou simplesmente reformulações de coisas muitas vezes repetidas. Com certeza essas pérolas vão aparecer vez ou outra aqui no blog.
Ah, sim: faltou dizer que, no primeiro grau, cheguei a escrever uma peça com minha melhor amiga, não me lembro bem sobre que disciplina - só lembro que o texto foi encenado pela nossa turma. Era sobre um rapaz que, para escapar da virar um dos "voluntários" da Pátria na Guerra do Paraguai, se disfarça de mulher. Nada muito original, mas foi divertido :-)
Pois bem, cá estou, tentando de novo. Já descobri minha vocação para a dissertação e a observação, e pretendo explorar isso aqui. E também sistematizar e divulgar algumas idéias para estudo bíblico e coisas do tipo. Vamos ver até onde vai esse "espasmo literário"...
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Meu caso com as letras
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A volta...
Este blog é uma nova tentativa... Já tive um tempos atrás, o Footnotes (no Weblogger). Agora adotei o nome em português mesmo, Notas de Pé. Tá, o mais correto sera "Notas de pé de página" ou "Notas de Rodapé", mas Notas de Pé é mais bonitinho :-)
Espero ter fôlego para postar. Não que eu tenha muita esperança de ser lida, mas é bom ter um espaço para escrever.
Enfim, se você "caiu" aqui, fique à vontade!
Post teste: Aventura de Réveillon
Meus velhos amigos de CEFET e eu decidimos passar a virada de 2007 para 2008 na casa de um amigo nosso em Niterói. Fomos ver a queima de fogos na praia de Icaraí, onde chegamos a pé, depois de uma boa caminhada. Até deu pra ver um pouco dos fogos de Copacabana, que começaram antes da hora. Mas foi depois da meia-noite que começou a aventura. Reparamos que tinha um ônibus que servia pra volta parado bem atrás de onde estávamos, e depois de trocar os abraços e beijos tradicionais, embarcamos nele nos achando muito espertos.
O ônibus já estava andando quando entramos, mas o motorista parou uns poucos metros adiante para ver os fogos (foram 20 minutos, uma eternidade). O ônibus foi enchendo, os fogos acabaram, mas cadê que o bicho andava? Depois de mais vinte minutos a gente percebeu o problema: a rua lá tem só duas pistas (uma pra cada mão) entre o mar e a montanha, e na pista contrária tinha uns 5 ônibus que não tinham conseguido chegar na praia, graças ao engarrafamento pré-fogos. Pra piorar, tinha trocentos carros estacionados dos dois lados da pista (Niterói ainda não aprendeu a lição de Copacabana, que fecha o trânsito para carros particulares no dia 31). Bem na frente do ônibus que vinha na direção contrária ao nosso, tinha uma van e um carro parados, antes de uma vaga vazia. A princípio eu pensei que se empurrassem o carro e a van, o ônibus da nossa frente teria espaço para manobrar. Só que mais adiante do nosso ônibus tinha um carro em fila dupla. Ah, sim, eu falei que tudo isso era numa curva? Pois é...
Os primeiros minutos de 2008 passando, e nada do impasse se resolver. Um amigo meu desceu do ônibus e começou a empurrar o carro que estava na frente da van, mas a família responsável pelo veículo já tinha chegado e quase saiu briga. O dono da van apareceu (alívio!), abriu a porta, pegou alguma coisa lá dentro e fechou de novo (nãaaaaooooo!!!). Ignorando completamente o nó no trânsito, encostou na van - de frente pra praia e de costas pro crime - e começou a falar no celular.
Finalmente apareceram alguns oficiais distribuindo multas para os carros estacionados do lado da pedra (local proibido), e um guarda municipal foi ver o porquê do trânsito estar parado - imagino que àquela altura a fila de carros tentando sair de Icaraí já devia estar dando a volta em Niterói...
Nós (eu, meus amigos e outros passageiros) gritamos pro guarda pedir para a van sair do caminho. Ele olha pra gente com cara de "E cadê o motorista?". A gente grita "Tá ali", apontando para o distinto senhor ainda curtindo a brisa do mar. O guarda vai até ele, o cara (de pau) diz que não é o dono do carro. O guardinha vira pra ir embora, mas a essa altura o ônibus inteiro já se levantou e todo mundo grita indignado: "É ele sim! É ele sim! A gente viu ele abrir a porta!", e começa a xingação... O guarda volta para reclamar, o "motorista" insiste, o guarda tira o talão de multa do bolso (aplausos do ônibus), o "condutor" muda de conversa. Um senhor de bermudas e boné, do lado da esposa, grita alguns palavrões, pede "Tira a carteira dele!" e repete o novo bordão clássico, "Pede pra sair!", enquanto o "piloto" entra na van. Para delírio dos fãs do capitão Nascimento, nessa hora aparece um PM gritando e batendo na porta da van. Finalmente, a van saiu, abrindo caminho para a fila de ônibus andar. O nosso ainda teve que aguardar mais uns minutinhos pra poder desviar do carro em fila dupla...
É, 2008 promete :-)
