domingo, 13 de setembro de 2009

Da arte de chorar com os que choram (cont.)

Dois amigos responderam ao meu último post com perguntas. Seguem minhas réplicas (com espaço para tréplicas e "quatréplicas", claro).

O primeiro comentário é do Harlyson, meu colega de turma na FABAT:

Para complicar, devo me tolher pelo outro? Ele deve se tolher por mim? E a liberdade? Se não demonstro minha alegria quando estou alegre porque isto pode ferir o outro que chora, então sou honesto? Poderia dizer "amigo,estou alegre por isso e isto, mas agora chorarei contigo, depois tu deixarás a tristeza ir embora e te alegrarás comigo". Mas se o outro não aceitar? Se a dor do outro permanecer mais tempo do que suportamos?
Não posso esperar que a dor ou a alegria do outro dure só o tempo que eu consigo "suportar". Acho que o que precisamos é de sensibilidade para não transformar a minha dor ou a minha alegria na coisa mais importante do mundo, na única coisa que vale. Imagine, por exemplo, que um ônibus escolar sofra um acidente. Algumas crianças morrem, outras são salvas. É óbvio e natural que os pais que perderam seus filhos sofram (e essa não é uma dor que suma rápido...), assim como é natural é óbvio que aqueles que receberam seus filhos de volta comemorem muito. A questão é: nem os que se entristecem (com razão!) podem se esquecer dos que se alegram, nem os que se alegram (com razão!) podem se esquecer dos que se entristecem. A alegria terá sempre uma ponta de tristeza, e a tristeza, uma ponta de alegria.

O outro comentário é do Ed Carlos, meu ex-companheiro na PIB de Botafogo:

Oi I, o texto me fez refletir algo que estive pensando dia desses... Há nas igrejas evangélicas, inclusive nas lideranças, homossexuais que não se manifestam como tal e lá permanecem cultuando a Deus.
Uma questão sobre pré-julgamentos: você acredita na salvação de membros da igreja católica?
Sobre os homossexuais: acho triste que eles precisem esconder sua condição para serem aceitos nas nossas igrejas...
Quanto à salvação dos membros da Igreja Católica: é uma pergunta espinhosa. Sou daquelas que acreditam que vamos nos surpreender muito com quem encontraremos (ou não) no Céu. E não me apego mais a doutrinas... Acredito sim, na salvação de membros da IC. Só não me pergunte de quais :-)

Mais comentários?

domingo, 6 de setembro de 2009

Da arte de chorar com os que choram

No último dia 21 de agosto, a Igreja Luterana Evangélica dos EUA (ELCA, na sigla em inglês), decidiu aceitar que homossexuais em relacionamentos estáveis assumam ministérios - inclusive o pastorado. Obviamente, muitas discussões precederam as votações. A pastora Nadia Bolz-Weber, líder da igreja House for All Sinners and Saints (Casa para Todos os Pecadores e Santos), uma das participantes, registrou suas impressões num sermão baseado em João 6.56-69, que pode ser lido no blog Sarcastic Lutheran.

A descrição que Nadia faz da assembleia lembra bastante qualquer reunião onde um assunto polêmico é discutido: discursos inflamados (mas nem sempre inspirados) de ambos os lados, e a sensação clara de que eu é que estou certo, e de que, se Jesus estivesse entre nós, certamente estaria do meu lado. Mas eis que um orador toma timidamente a palavra e, antes de qualquer coisa, confessa estar apavorado, tremendo de medo de falar, e pede que orem por ele. E o homem ao seu lado, que defendia o ponto de vista oposto, simplesmente pôs a mão em seu ombro e orou enquanto ele falava.

Este gesto simples fez Nadia humildemente reconhecer: por mais que ela e sua comunidade tivessem, sim, o direito de celebrar a vitória, não poderiam esquecer aqueles que perderam. Jesus não está nem "do lado deles" nem "do nosso lado", ele está no meio oferecendo a todos perdão. Nossas convicções, crenças e interpretações da Bíblia são importantes, mas não são as palavras da vida eterna. Mas é tão difícil deixar de confundir estas coisas...

Há muito tempo me sinto desafiada por (e intrigada com) Romanos 12.15: "Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram". É um conselho simples na aparência, mas quando se vive em comunidade é inevitável que os momentos de tristeza venham junto com os momentos de alegria: Maria passou no vestibular, Pedro perdeu o avô. Pode Pedro rir com Maria, e Maria chorar com Pedro?

O sermão da pastora Nadia me apresenta um novo desafio: como agir quando a minha alegria é a causa da tristeza do outro? Criticamos o conservadorismo ou o liberalismo dos outros, e acabamos nos esquecendo de que eles não são só um bando de fundamentalistas estraga-prazeres, nem um monte de loucos rasgando Bíblias: dos dois lados há pessoas que procuram ser fiéis a Deus, que se entristecem profundamente com o que consideram ser desvios da "sã doutrina". Meu copo de vinho ou minha saia comprida valem mais do que estas pessoas?

Pode Pedro rir com Maria, e Maria chorar com Pedro, se é a alegria dela que fere seu irmão?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Perguntas em busca de respostas

É estranho ver minhas certezas se desmanchando no ar... E mais estranho ainda é ver que boa parte delas está indo embora sem muita dor - me faz pensar se eram, de fato, certezas. E o que mais dói não é perdê-las, é perceber que não tenho outras para substituí-las.

Antes de começar o curso de Teologia, resolvi fazer uma suspensão de descrença invertida (pra quem não conhece o termo: suspensão voluntária de descrença é aquilo que faz você acreditar que o Henrique VIII tinha a cara do Jonathan Rhys Meyers). Na minha "suspensão de crença", decidi não me apegar a tudo que aprendi em quinze anos de Igreja. Guardei a fé em um Deus criador e em um cara chamado Jesus que andou pela Palestina de 2000 anos atrás; e deixei o resto em aberto. E, agora, cadê as certezas que estavam aqui?

Esta semana, durante uma aula de Filosofia da Religião (em que eu não estava lá prestando muita atenção, admito), comecei a anotar uma série de perguntas:

  • Se não há vida após a morte, ela é necessariamente inútil?
  • Se não há Deus, não há sentido? Se não há Deus, não há moral?
  • O que queremos dizer, quando indagamos sobre o "sentido" da vida? A vida precisa ter sentido?
  • Nascer, crescer, sentir, se relacionar, morrer - isto é pouco? Tocar e ser tocado por outras pessoas, é preciso mais sentido do que isto?
A terceira me lembra um poeminha que escrevi no segundo grau ("A vida tem sentido? Se tem, pra onde?"). Mas ainda não consigo articular estas questões, transformá-las em texto, tirar delas, se não certezas, pelo menos uma linha de pensamento minimamente coerente. Inspirada, então, no meu colega Renato Fontes e em suas Perguntas Retóricas, vou deixando registrados os meus questionamentos. Não são retóricos, mas ainda estão em busca de respostas...

domingo, 23 de agosto de 2009

Moral?

Se não há Deus, não há moral? A moral tem que ser, necessariamente, resposta a uma entidade superior a mim? Por que a moral não pode ser resposta ao ser humano diante de mim?

Este vídeo é antiguinho, mas interessante (está em inglês, sem legendas):



Confesso: eu quero dar uns tabefes na apresentadora loura. Grupos ateístas espalharam cartazes anti-religião em cidades americanas. Os cartazes foram roubados, e os grupos decidiram substituí-los por cartazes dizendo "Não roubarás". A loura fica indignada: "Ah, é, somos ateus, mas vamos usar um dos dez mandamentos para nos justificar". Hum... Quem roubou os sinais, muito provavelmente, foram cristãos (note que ninguém nega essa possibilidade, a própria colunista convidada recomenda que os cristãos NÃO façam isso). Ora, não somos nós que adoramos esfregar a moral na cara dos outros? Por que os outros não teriam direito de devolver isso, quando nós mesmos agimos contra essa moral?

Mas a loura continua: "Se não lutarmos, o cristianismo pode desaparecer". Difícil acreditar que alguém realmente creia nisso, que uma das maiores religiões do mundo pode sumir do mapa simplesmente porque algumas pessoas espalharam cartazes contra ela. E, mesmo que isto fosse possível, será que isto justifica agirmos contra os nossos próprios padrões?

Por enquanto, fico por aqui. Comentários?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cover de Thriller, do Michael Jackson



Este é um dos meus covers favoritos. O clima voz-e-violão me fez prestar mais atenção na letra e deixou a música mais assustadora... Ah, sim, o cantor é Ben Gibbard, das bandas Death Cab for Cutie e The Postal Service (Such Great Heights, disponível no My Space e no site oficial, é uma das músicas mais fofas que já ouvi!).

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