segunda-feira, 9 de março de 2009

Diário de Viagem: Buenos Aires

Hola!



Aproveitei o Carnaval para fazer minha primeira viagem ao exterior: Buenos Aires, Argentina. Fui sozinha: comprei a passagem um mês antes (em cima da hora: os voos de sabádo e domingo já estavam lotados) e reservei um albergue indicado pelo Lonely Planet: Hostel Suites Palermo. Fica num bairro afastado do centro, o que dificultou algumas coisas, mas gostei do clima tranquilo do lugar. Os outros albergues que consultei eram mais festeiros, um deles até avisava: "Se você gosta de dormir cedo, NÃO escolha este hostel". Segui o conselho :-)

Tudo certo pra viagem, bateu o frio na barriga: que é que eu vou fazer sozinha num país estranho (uma nação inimiga, pelo menos no esporte) e sem falar a língua do lugar (entendo o espanhol, especialmente lendo, mas não falo nada além daquele portunhol bem furreca)? Relaxei um pouco no avião, até porque adoro voar, mas foi só sair da checagem da imigração no aeroporto pra voltar o medo.

Caí num daqueles golpes de taxistas logo de cara: o motorista me cobrou 178 pesos por uma viagem que, na volta, saiu por 90 - sim, quase o dobro! Boa parte dos meus pesos foi embora nessa transação... Mas me informei na recepção do albergue e descobri que poderia trocar meus dólares (na hora de fazer o câmbio, troquei uma parte em pesos pro táxi e o resto em dólares) num lugar perto.

Deixei a mala e a mochila no quarto (me impressionei com a bagunça que as outras meninas fizeram) e saí para comer alguma coisa. Andei algumas quadras até o café Tonno, onde comi uma pizza - veio meio queimada, mas os pepperones eram maravilhosos - e observei os locais. Um grupo de adolescentes deu lugar a um casal com três filhos, a primeira prova da alta taxa de natalidade argentina (segundo o Lonely Planet, a mais alta da América Latina). Tem criança para todos os lados em BA! A determinada altura os funcionários mudaram o canal da TV para assistir a Hombre al Agua, uma espécie de gincana só com provas aquáticas (lembrei das Olimpíadas do Faustão). Tentei assistir até o final, mas era looongoooo e o sono venceu. Na hora de pagar, segundo susto: o cartão de crédito não liberou a compra. Fiquei apavorada na hora. Agora, trocar os dólares parecia questão de vida ou morte...

Segundo dia: liguei o notebook antes de sair do albergue e, por via das dúvidas, paguei a fatura do cartão de crédito e chequei a liberação para uso no exterior do cartão. Depois fui procurar a tal casa de câmbio. Tomei um novo susto porque não a encontrei no lugar que me indicaram, mas segui em frente: estava na Av. Santa Fé, uma das principais de Buenos Aires, e achei que deveria ter algum lugar onde eu pudesse trocar o dinheiro por ali. Finalmente encontrei: problema n. 1 resolvido!

Almocei num restaurante simpático. Confesso que me decepcionei um pouco: todo mundo fala tanto das carnes argentinas que eu, carnívora assumida, estava com água na boca para provar. Só que, aparentemente, tempero não é o forte dos hermanos... Só comi carne sem sal lá, uma pena. Mas as papas fritas estavam deliciosas!

Passei o resto da tarde explorando Palermo, um bairro de classe-média alta, arborizado e com uma vida noturna agitada. Minha primeira parada foi o Zoo, onde aproveitei para testar o cartão de crédito. Compra autorizada! Finalmente tranquila, curti bastante o passeio: show de lobos marinhos, ursos, felinos, girafas, lhamas, elefantes... E muitos, muitos turistas, especialmente brasileiros: na fila, alimentando os animais (o próprio zoológico vende um preparado especial para isso), tirando fotos, passeando.

Conferi no guia da Folha de São Paulo (se você pretende ir a BA, recomendo muito esse guia: os mapas são valiosos e o tamanho é ideal pra levar na bolsa) o endereço da Persicco, uma das mais badaladas sorveterias portenhas. Tomei um cucurucho (casquinha) de dulce de leche casero. A primeira surpresa: a porção é extremamente generosa, praticamente o dobro do sorvete do lado de fora - enche os olhos e a boca, mas não é muito prático na hora de tomar. A segunda: o tal sorvete de doce de leite não é enjoativo! E a terceira: a casquinha tinha umas três ou quatro camadas, uma delícia. Nota 10 para o helado.

Finalizei a tarde numa das muitas praças de Buenos Aires, vendo casais, famílias e grupos de amigos jogados na grama, um carinha treinando malabares, crianças bricando (dois meninos na minha frente faziam mountain bike num buraco de uma quadra), cachorros (outra paixão portenha - vi vários "andadores" de cachorro segurando vários pelas correntes), gente jogando futebol ou bebendo mate, uma delícia. O sol só se põe pra lá das oito horas, e ao que parece eles aproveitam cada minuto antes que isso aconteça. Voltei para o albergue, não sem antes traçar uma omelete num restaurante.

O terceiro dia começou bem cedo, com um city tour. Saímos do parque onde se encontra a bela Floralis Generica e percorremos Palermo e os bairros mais centrais até a Plaza de Mayo, ponto de protesto famoso e onde fica a Casa Rosada. Depois, fomos a La Boca, lar da Bombonera (estádio do Boca Juniors, ex-time de Maradona - até estátua do Diego tem lá) e de Caminito, ruazinha famosa pelas fachadas coloridas e os artistas de rua - muito careiros, por sinal.

O tour me deixou em Puerto Madero, talvez o lugar mais charmoso que vi em BA (o páreo é difícil, Palermo e a Recoleta são maravilhosos). Caminhei até não poder mais pelo calçadão à beira do rio, almocei no restaurante Siga La Vaca - parilla estilo "coma-o-quanto-puder" - em uma ponta e fui até a Freddo, na outra ponta, (outra sorveteria chique) tomar um helado de framboesa. No meio do caminho, visitei a Fragata-Escola Sarmiento e morri de inveja dos estudantes da Universidade Católica de BA, que estudam num lugar daqueles. Será que tem Teologia lá? Ah, sim, Puerto Madero também estava lotado de brasileiros, no Siga La Vaca uma família estava especialmente barulhenta :-)

Caminhei até o centro e fiz um pit-stop no shopping Galerias Pacífico, que tem afrescos lindos no teto. Dali segui pela Calle Florida (espécie de Uruguaiana portenha) até o metrô, ou Subte - de subterrâneo, reparou? - e voltei para "casa". Naquela noite saí para o Tango Experience, evento promovido pela rede Hostel Suites. A aventura começa no Hostel Suites Florida (um dos albergues mais bacanas que já vi, e bem central - fica na Calle Florida) com uma taça de vinho e, pelo menos naquela ocasião, alguma música (tocada num violino por um barbudo gordinho de bermuda). Não me aventurei a tomar uma taça inteira, mas provei uns golinhos.

Do ponto de encontro saímos, apertados numa van, para uma aula de tango - não aquele de filme, com rosas e vestidos decotados, mas o tango das milongas, que gente de verdade dança. A professora era ótima, e o grupo estava bem descontraído (culpa do vinho, talvez?), o que deixou tudo mais divertido. De volta para a van, fomos para uma pizzaria, e aí o papo rolou solto. Brasileiros, claro: duas cariocas - eu e mais uma, chamada Janaína (a rainha da água doce encontra a rainha do mar) - e dois gaúchos, um francês que fala português, um italiano, um holandês, uma inglesa, um irlandês, um chileno... Uma verdadeira babel :-)

Pra fechar a noite, visitamos uma milonga. A ideia era testar os conhecimentos, mas poucos se aventuraram na pista de dança - eu entre eles, duas vezes! Pena que não tenho as fotos para comprovar, mas tive testemunhas. Dancei mal, lógico, mas quem liga? E pelo menos não pisei no pé dos meus pares, já considero uma vitória :-)

Quinta-feira, último dia inteiro em BA. Caminhei quadras e mais quadras na Av. Santa Fé, de Palermo até a Recoleta, para conhecer El Ateneo Grand Splendid, uma das livrarias mais bonitas do mundo. O prédio era um cine-teatro, e os novos donos fizeram intervenções mínimas para instalar a livraria, mantendo os balcões e o espaço do palco. Foi ali que almocei um belo (e insosso, nada que um salzinho não ajudasse) bife de chorizo.

Dali, caminhei mais um tanto até a Recoleta, onde visitei a Igreja de N.S. do Pilar (que tem um pequeno museu), o famoso Cemitério onde está enterrada Evita, e o Museu de Belas-Artes, com uma coleção invejável. Numa praça, um grupo ensaiava técnicas de circo - malabares, corda bamba, etc. Jantei por ali, e, no caminho até o subte, vi um legítimo panelaço contra a troca de mão de uma avenida.

Ufa! A sexta foi só para arrumar a mala, comprar uma lata de alfajor (devorados pela minha irmã em menos de uma semana) e ir ao aeroporto, lotado - tinha uma fila gigantesca pra passar pelos detectores de metal! E você ainda tem que pagar uma taxa pelo uso do espaço... De volta para casa! Agora, é planejar a próxima viagem...

Mais fotos e histórias no Flickr.

3 comentários:

izawa disse...

Caramba, minha chefe também caiu em um golpe de taxista em BA. Infelizmente parece que isso está virando rotina. :-/

Gostei da sua descrição do helado. As fotos no Flickr estão bem legais. :-D

Graças ao seu aviso, levarei uma boa pimenta para temperar meus bifes quando eu for para lá, hehehehe.

Joseane disse...

nossa que chique amiga! parece que a viagem foi ótima mesmo! quem sabe da proxima vez a gente não vai junto? beijinho!

Claudio disse...

Iarinha...

Concordo com vc..não entendo a questão da carne sem sal...

Beijos e saudades

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